CIRURGIA TORÁCICA
Prof. André Lacerda de Abreu Oliveira- MV, Msc,PhD
Prof. de Cirurgia da UENF
INTRODUÇÃO
A cirurgia torácica em pequenos animais não tem sido realizada com rotina na prática veterinária, seja pelo desconhecimento técnico ou mesmo pelo receio das dificuldades e complicações pós-operatórias. Podemos dividir a cirurgia torácica em cirurgia do sistema respiratório, cirurgia do sistema digestivo e cirurgia cardiovascular. Cada sistema possui particularidades relevantes.
Na cirurgia do sistema digestivo nos deparamos com as dificuldades relativas à cicatrização do esôfago. Na prática cirúrgica moderna, estes procedimentos são cada vez mais realizados com segurança.
Quando nos referimos às cirurgias do sistema respiratório, podemos dizer que são os procedimentos realizados com maior freqüência no tórax, entretanto, talvez ainda não representem o volume de afecções respiratórias passiveis de correção cirúrgica na Medicina Veterinária.
A cirurgia cardíaca tem representado um desafio, seja por falta de conhecimento técnico específico, pelos equipamentos dispendiosos ou mesmo pela ausência de uma equipe apropriadamente treinada. É uma cirurgia que não permite falhas e requer do cirurgião e da equipe extrema concentração e planejamento, além de sua longa duração e alto risco.
Apesar de todas as dificuldades que enfrentamos na atualidade, é necessário desmistificar alguns passos destas operações, tornando a técnica acessível para um número maior de veterinários, através de treinamentos específicos e criação de equipes capacitadas a realizarem estes procedimentos.
A cirurgia do sistema respiratório pode ser utilizada para correção de diversas anomalias, entre elas, torção pulmonar, neoplasias, trauma, colapso de traquéia e ruptura pulmonar ou traqueal .
A cirurgia do sistema digestivo envolve as anomalias do esôfago, tais como o megaesôfago, neoplasias, divertículos, traumas e obstruções.
São diversas as indicações, entre elas Tetralogia de Falot, anomalias de anéis vasculares, comunicação inter-atrial, comunicação inter-ventricular, dirofilariose, persistência do ducto arterioso, doenças valvulares, neoplasias, traumas, cardiomiopatia dilatada, estenose aórtica e estenose pulmonar para as cirurgias cardiovasculares.
São necessários materiais cirúrgicos gerais e especiais, como pinças vasculares, serras para esternotomia, afastador de Finochietto, entre outros. De acordo com o procedimento indicado pode ser necessário o uso da máquina de circulação extra-corpórea e equipamentos de monitorização especiais.
A cirurgia cardíaca não é realizada sem certa apreensão, o cirurgião se vê diante de um grande desafio em cada procedimento, quando não basta apenas todo o conhecimento técnico referente à operação, mas também um trabalho harmonioso de uma equipe entrosada e com bom nível de informações.
São muitas as indicações da cirurgia torácica, entretanto, no nosso meio elas ainda não representam a rotina esperada. É necessário desmistificar tudo que envolve a realização destes procedimentos, conscientizar os proprietários e veterinários. Certamente poderemos em um breve período de tempo conscientizar a todos a respeito das indicações e importância desta modalidade cirúrgica e desta maneira salvar muitas vidas.

O animal deve ser avaliado minuciosamente, por meio de exames clínicos, laboratoriais (hemograma, uréia, creatinina, AST, ALT, fosfatase alcalina, glicose, cálcio, sódio, potássio e cloretos), radiológicos, eletrocardiograma e ecocardiografia.
São necessários materiais cirúrgicos gerais e especiais, como pinças vasculares, serras para esternotomia, afastador de Finochietto, entre outros. De acordo com o procedimento indicado pode ser necessário o uso da máquina de circulação extra-corpórea e equipamentos de monitorização especiais.

Figura 2 – Equipamento de monitorização, com eletrocardiograma e dois canais de pressão arterial invasiva.

Figura 3 – Oxigenador de bolhas.
Figura 4 – Máquina de Circulação extra-corpórea.

Figura 4 – Toracotomia esternal em cão com uso de um costótomo.

Figura 4 – Toracotomia lateral em cão.
São necessários, principalmente na cirurgia cardíaca, suporte de terapia intensiva, quando o acompanhamento do paciente e sua estabilização são vitais para a recuperação.
Cuidados relativos à reposição de volume, ao equilíbrio eletrolítico e ácido-básico, drenagens torácicas, identificação de sangramentos, mecânica respiratória e controle da dor e hemodinâmica do paciente, devem existir neste serviço de terapia intensiva. Podemos afirmar que procedimentos de cirurgia intra-cardíaca somente são possíveis com este suporte no pós-operatório.
Na Medicina Humana a cirurgia torácica, em especial a cardíaca, apoiada durante anos por trabalhos experimentais apresentou avanços consideráveis, sendo realizadas com bons resultados. No entanto, devido ao grande número de equipamentos dispendiosos e a necessidade de uma equipe tecnicamente bem preparada, estes procedimentos de maior complexidade na Medicina Veterinária, não são realizados com a freqüência necessária, nem mesmo com as taxas de sucesso esperadas.
Com o aparecimento da especialidade da terapia intensiva em Medicina Veterinária, oferecendo o suporte necessário para a recuperação dos pacientes em cirurgias torácicas, melhores resultados estão melhores a cada dia, o que parecia impossível está sendo realizado, portanto não se deve ficar a margem da informação.