Hipotireoidismo canino:
O hipotireoidismo, doença que provoca diminuição dos hormônios tireoidianos, pode ter diversas etiologias. A mais freqüente no cão é a tireoidite linfocítica (muito semelhante à tireoidite de Hashimoto, que ocorre nos seres humanos), doença auto-imune que leva a destruição gradativa da glândula. Como os hormônios tireoidianos atuam em diversos órgãos, qualquer alteração na sua produção influencia no funcionamento de cada sistema do organismo. Dentre os sintomas clínicos manifestados, destacam-se: termofilia, intolerância a exercícios, ganho de peso, letargia, depressão, alterações tegumentares, reprodutivas, cardiovasculares, neurológicas e musculares, além do mixedema facial, caracterizado pela “facies tragica”.
Essa disfunção hormonal acomete, principalmente, cães de médio ou grande porte, entre quatro e oito anos de idade. As raças mais predispostas são: Golden Retriever, Labrador, Dobermann, Cocker Spaniel, Poodle, Beagle, Chow Cho, Dachshund e Airedale. Fêmeas castradas apresentam maiores risco de acometimento.
Para um correto diagnóstico do hipotireoidismo, é necessário que se aliem os dados da anamnese, aos achados dos exames físicos e laboratoriais. Dentre estes últimos, incluem-se: as dosagens séricas de colesterol e de triglicérides e, principalmente, as mensurações dos hormônios tireoidianos. A determinação da relação recíproca das concentrações baixas de T4 total e T4 livre por diálise de equilíbrio, altos níveis séricos de TSH aumenta significantemente a acurácia do diagnóstico.
Nas fotos a seguir observa-se a obesidade e o mixedema (“facies trágica”), respectivamente.


Hipotireoidismo x sistema cardiovascular:
Os hormônios tireoidianos exercem papel fundamental no funcionamento do sistema cardiovascular. Eles estimulam a produção de substâncias (isoformas da miosina), que aumentam a força de contratilidade do coração. Entretanto, mais importante ainda é a sua ação na circulação periférica.
Os efeitos do hipotireoidismo no sistema cardiovascular não são muito graves e normalmente se estabilizam rapidamente depois de instituída a terapia de reposição. Bradicardia, diminuição do pulso femural, diminuição da força de contratilidade e sons cardíacos abafados são alguns achados nos animais hipotireoideus. Anormalidades no eletrocardiograma (ECG) incluem diminuição da amplitude da onda R (<1 mV) em 50% dos casos, bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular discreto, inversão da onda T e mudanças eletrolíticas. O hipotireoidismo é associado à deficiência na contratilidade do miocárdio. Diminuição na fração de encurtamento do ventrículo esquerdo combinado com aumento/diminuição variável do diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo pode ser um achado para diferenciar de outras doenças cardíacas. A diminuição na contratilidade é sutil, mas pode ter considerável importância em animais com doenças cardíacas pré-existentes.

Dr. Edgar Pina – Vet Cordis
Arritmias ventriculares são raras nesta doença, e quando presentes pode ser resultado de isquemia no miocárdio em cães com arteriosclerose. Arteriosclerose é uma rara e preocupante complicação do hipotireoidismo. É resultado de hipercolesterolemia severa e anormalidades no metabolismo de lipídios. O acúmulo de lipídios no interior de artérias, forma placas de arteriosclerose, impedindo o fluxo normal de sangue para uma determinada região, levando a uma isquemia localizada. Quando há aumento considerável do colesterol circulante sinais de comprometimento sistêmico são observados, tais como: vômito, letargia, anormalidades neurológicas, pancreatites e trombose ilíaca.
O tratamento espefícico para as alterações cardiovasculares ocasionadas pela baixa dos hormônios tireoidianos normalmente não são necessárias. As alterações no ECG e os sinais clínicos desaparecem após oito semanas de reposição hormonal. Nos casos de arteriosclerose, além da reposição, deve-se iniciar um controle alimentar, diminuindo a gordura da alimentação.